
Alguém que me lê e eu não vejo.
2007/09/09
2007/09/08
Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.
Álvaro de Campos, às vezes também preciso dele e de um universo barato.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.
Álvaro de Campos, às vezes também preciso dele e de um universo barato.
2007/09/07
2007/09/06
Há momentos em que sinto tudo ao de leve, como se palavras, notas, fossem um sopro a tocar ao de leve na pele e a deixar um arrepio em tempo de calor. Uma sensação aprazível: uma pequena manta de tecido e brisa a envolver-me.
Não é isso que se passa quando ouça a Mercedes Sosa. Com ela é impossível sentir o morno do dia.
Não é isso que se passa quando ouça a Mercedes Sosa. Com ela é impossível sentir o morno do dia.
2007/08/27
A imagem recorrente neste blogue: a montanha. O vale presta-lhe o seu tributo diário, como nada nem ninguém jamais faria. E o vale, esse, é beijado incessantemente pelo rio. Esse rio cuja obtusidade dos ângulos não quer ser percebida, não deixando, contudo, de engrandecer e sublimar cada recanto do vale. Unidireccional, este afecto, jamais exige retorno.
2007/08/23
Josef: I thought um, you and I, maybe we could go away somewhere. Together. One of these days. Today. Right now. Come with me.
Hanna: No, I don't think that's going to be possible.
Josef: Why not?
Hanna: Um, because I think that if we go away to someplace together, I'm afraid that, ah, one day, maybe not today, maybe, maybe not tomorrow either, but one day suddenly, I may begin to cry and cry so very much that nothing or nobody can stop me and the tears will fill the room and I won't be able to breath and I will pull you down with me and we'll both drown.
Josef: I'll learn how to swim, Hanna. I swear, I'll learn how to swim.
in A vida secreta das palavras
de Isabel Coixet
Hanna: No, I don't think that's going to be possible.
Josef: Why not?
Hanna: Um, because I think that if we go away to someplace together, I'm afraid that, ah, one day, maybe not today, maybe, maybe not tomorrow either, but one day suddenly, I may begin to cry and cry so very much that nothing or nobody can stop me and the tears will fill the room and I won't be able to breath and I will pull you down with me and we'll both drown.
Josef: I'll learn how to swim, Hanna. I swear, I'll learn how to swim.
in A vida secreta das palavras
de Isabel Coixet
2007/08/15
2007/08/13
Sabonete...

Ainda não encontrei a interjeição correcta para descrever o curto trilho que percorri até bifurcar com o teu caminho. Deparei-me contigo e com o sabonete em que tropecei: aquele que aparentemente te guarnece agora. O mesmo que parece afagar-te os banhos mornos nas noites mais recentes. Inocência! Será o mesmo sabonete? Aquele que num instante partido pelo tempo fez com que esse meu pé delizasse de forma desconcertante? O mesmo com perfume quase de anis, quase esverdeado… como o reflexo da montanha no teu cabelo? Não pode ser! Não pode ser aquele que me purificava a alma e em seguida me perseguiu a queda precipitada sobre a terra molhada!
Não encontro a interjeição. Talvez o sabonete seja realmente o mesmo. Tavez na minha inconsciência tenha sido por isso que me estendeste a mão: para me levantar da humidade da terras e da viscosidade dos vermes. Mas nada perdi, só ganhei as cores, a perfeição do solo em que caminho. Os meus pés imundos e descalços, percorrem com fervor noutra direcção, inspiram no sopé da montanha a erva pulsante sob eles. A água deixou de ser tépida mas a pele não é mais sensível.
Não encontro a interjeição. Talvez o sabonete seja realmente o mesmo. Tavez na minha inconsciência tenha sido por isso que me estendeste a mão: para me levantar da humidade da terras e da viscosidade dos vermes. Mas nada perdi, só ganhei as cores, a perfeição do solo em que caminho. Os meus pés imundos e descalços, percorrem com fervor noutra direcção, inspiram no sopé da montanha a erva pulsante sob eles. A água deixou de ser tépida mas a pele não é mais sensível.
2007/08/09
2007/08/06
2007/08/04
Em resposta ao desafio da menina tóxica aqui vai a lista dos 5 últimos livros que li:
5- "O mundo dos outros" de José Gomes Ferreira
4- "A ignorância" de Milan Kundera
3- "A espuma dos dias" de Boris Vian
2- "The ten trusts" escrito pela Jane Goodall
1- "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada" de Pablo Neruda
5- "O mundo dos outros" de José Gomes Ferreira
4- "A ignorância" de Milan Kundera
3- "A espuma dos dias" de Boris Vian
2- "The ten trusts" escrito pela Jane Goodall
1- "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada" de Pablo Neruda
2007/06/06
creio nos anjos que andam pelo mundo,
creio na deusa com olhos de diamantes,
creio em amores lunares com piano ao fundo,
creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes;
creio num engenho que falta mais fecundo
de harmonizar as partes dissonantes,
creio que tudo é eterno num segundo,
creio num céu futuro que houve dantes,
creio nos deuses de um astral mais puro,
na flor humilde que se encosta ao muro,
creio na carne que enfeitiça o além,
creio no incrível, nas coisas assombrosas,
na ocupação do mundo pelas rosas,
creio que o amor tem asas de ouro. amém.
Natália Correia
creio na deusa com olhos de diamantes,
creio em amores lunares com piano ao fundo,
creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes;
creio num engenho que falta mais fecundo
de harmonizar as partes dissonantes,
creio que tudo é eterno num segundo,
creio num céu futuro que houve dantes,
creio nos deuses de um astral mais puro,
na flor humilde que se encosta ao muro,
creio na carne que enfeitiça o além,
creio no incrível, nas coisas assombrosas,
na ocupação do mundo pelas rosas,
creio que o amor tem asas de ouro. amém.
Natália Correia
2007/05/20
Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Ridícula. Confiava que, repetida indeterminadamente, acabasse por perder o sentido. Não perdeu.
2007/05/12
VII - Da Minha Aldeia
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
Alberto Caeiro
PS: este poema foi-me trazido por uma pessoa que não é especialmente divertida, mas especialmente mal disposta.
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
Alberto Caeiro
PS: este poema foi-me trazido por uma pessoa que não é especialmente divertida, mas especialmente mal disposta.
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