Alguém que me lê e eu não vejo.

2006/11/06


Incontáveis os instantes que tenho passado a respirar,
e aqueles em que quis tocar no céu,
naquele que pensava ser veludo morno.
Não, não os consigo contar, ter-lhes perdido a conta...
Assim remonto à sensação de infinito perdida,
somando-lhe os dias em que não consegui chegar-lhe,
mais aqueles em que achei que lhe toquei.

Ah meu céu amigo, essas nuvens que te encobrem,
que te aconchegam, que te abraçam,
que me fizeram deixar de poder sonhar contigo,
essas nuvens... quem me dera ser uma delas!

Talvez se se me fosse a densidade impura,
sim, se também eu fosse um fiapo intocável,
também eu seria perfeita e não sentiria
esta absorção de mim pelo mundo,
não sentiria esta ausência que grita: o vazio.

Nuvens: invejo-vos espalhadas, viajantes.
Fecho os olhos.
Evaporo-me e condenso-me em mim mesma.

4 comentários:

menina tóxica disse...

estas nuvens fazem-te sonhar ainda mais e pensar no que poderá estar por de trás delas!
e não é tão bom sentir
esta absorção de ti pelo mundo? eu acho que é para isso que cá andamos... e também para o absorvermos um pouco.

estrelinhas

menina tóxica

Ana disse...

Menina tóxica mas não muito: É bom quando o mundo nos absorve e ainda assim conseguimos guardar um bocadinho de nós para nós... Ou então não. Oh realmente.. acho que vou ter com e correr por aí fora ao lado do Alberto Caeiro, queres vir?

Obrigada pelas palavras :)

menina tóxica disse...

claro! penso que será sempre uma boa viagem, ao lado do mestre :)e talvez mais tarde nos entreguemos a uns devaneios mais alvaristas.

menina tóxica

Jorge Simão disse...

Gostei.
Voltarei cá por certo.

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