Alguém que me lê e eu não vejo.
2005/04/17
2005/03/29
Para quê preocupar-me com este vento frio, que tece na minha pele arestas rugosas e despidas? Para quê preocupar-me quando dele me posso abrigar nas paredes pintadas de aconchego?
Pois que o vento continue sem me tocar na pele, nem nos cabelos... que continue e não me faça lembrar dos tempos em que lhe dava a minha existência em dias vazios.
Nada existe sem que para dar receba também, nem o vento. Eu dava-lhe os segredos e ele dava-me vida. Mas isso era "no tempo dos segredos". Agora ele gela-me e eu recuso-o.
Pois que o vento continue sem me tocar na pele, nem nos cabelos... que continue e não me faça lembrar dos tempos em que lhe dava a minha existência em dias vazios.
Nada existe sem que para dar receba também, nem o vento. Eu dava-lhe os segredos e ele dava-me vida. Mas isso era "no tempo dos segredos". Agora ele gela-me e eu recuso-o.
2005/03/12
Sinto.
Mel a escorrer por entre granitos ácidos, íngremes, devagar... gelatinoso. Mel que se avista ao longe, de planícies distantes, abrigadas do sabor doce enjoativo e que só se adivinha desejável quando provado gota a gota, de quando a quando.
Tempo do tempo, em que a brisa olha para trás de dois em dois ou de três em três minutos. Que olha para trás e ainda assim continua a soprar, embora na soma de todos os seus conjuntos de dois ou três minutos e os seus intervalos, prossiga errada.
O gelo e o frio a rasgar estilhaços de terra, de rua e de rocha, a paralisar a seiva e o sangue. O frio e o gelo: nem o seu silêncio os salva. O frio e o gelo que continuam, como o mel e a brisa, porque o mundo parece ter-se habituado.
E se um dia tudo isto gritasse em uníssono, apertando as mãos ásperas e enrugadas do abismo?
Mel a escorrer por entre granitos ácidos, íngremes, devagar... gelatinoso. Mel que se avista ao longe, de planícies distantes, abrigadas do sabor doce enjoativo e que só se adivinha desejável quando provado gota a gota, de quando a quando.
Tempo do tempo, em que a brisa olha para trás de dois em dois ou de três em três minutos. Que olha para trás e ainda assim continua a soprar, embora na soma de todos os seus conjuntos de dois ou três minutos e os seus intervalos, prossiga errada.
O gelo e o frio a rasgar estilhaços de terra, de rua e de rocha, a paralisar a seiva e o sangue. O frio e o gelo: nem o seu silêncio os salva. O frio e o gelo que continuam, como o mel e a brisa, porque o mundo parece ter-se habituado.
E se um dia tudo isto gritasse em uníssono, apertando as mãos ásperas e enrugadas do abismo?
2005/02/18
Foi ontem.
Como não escrever agora? Se estamos em silêncio mas não é no silêncio que eu penso? Se penso em ti e nas tuas palavras?
Tenho que escrever: o único gume que a espada do teu ser tem é o facto de a tua presença ser imprescindível para aqueles que te rodeiam. Não quero que te sintas melhor, quero simplesmente que continues a sentir-te como és.
Como não escrever agora? Se estamos em silêncio mas não é no silêncio que eu penso? Se penso em ti e nas tuas palavras?
Tenho que escrever: o único gume que a espada do teu ser tem é o facto de a tua presença ser imprescindível para aqueles que te rodeiam. Não quero que te sintas melhor, quero simplesmente que continues a sentir-te como és.
2005/02/13
Tempo.
Tenho-me perdido um pouco na dimensão dilacerante do tempo. Hoje essa dimensão perturbou o meu estar desprevenido, chegou de manhã e perdurou pelas horas até agora, intermitente com ida e vinda das pessoas pela casa.
É tão raro dar-me conta dele, que quando somo as suas alterações irremediáveis sou arrastada, é possível apenas que me esconda e que me abrigue em cortinas de água sal... invisíveis. Mas tento contorná-lo, passar despercebida. Visto uma gabardina escura e apago o meu reflexo das vitrinas escuras do tempo. Irremediávelmente, ele encontrar-me-á.
Tenho-me perdido um pouco na dimensão dilacerante do tempo. Hoje essa dimensão perturbou o meu estar desprevenido, chegou de manhã e perdurou pelas horas até agora, intermitente com ida e vinda das pessoas pela casa.
É tão raro dar-me conta dele, que quando somo as suas alterações irremediáveis sou arrastada, é possível apenas que me esconda e que me abrigue em cortinas de água sal... invisíveis. Mas tento contorná-lo, passar despercebida. Visto uma gabardina escura e apago o meu reflexo das vitrinas escuras do tempo. Irremediávelmente, ele encontrar-me-á.
2005/02/06
Para um outro ti, ainda
É ténue a superfície
que manchas de lágrima e sede,
que separa o que és do que mostras ser.
Despe-te desse mundo e mergulha:
envolve-te nas ondas do mar, envolve-te na praia
e na água que chove com o vento.
Que se não te canse esse coração,
que é novo e não velho de tormentas
como pensas acreditar.
É ténue a superfície
que manchas de lágrima e sede,
que separa o que és do que mostras ser.
Despe-te desse mundo e mergulha:
envolve-te nas ondas do mar, envolve-te na praia
e na água que chove com o vento.
Que se não te canse esse coração,
que é novo e não velho de tormentas
como pensas acreditar.
E para ti também escrevi
Assemelho-te a um lume brando,
uma chama que esteve patente
na brasa dum carvão incandescente.
Pareces ficar-te pelo galanteio de alguns sorrisos
em noites frias de Verão.
Pareces ficar-te por dramas representados,
com um só actor, num monólogo de suspiros.
Guardas as rosas, os perfumes e os sabores aconchegantes da vida
para aquecer o dia-a-dia, aos que te rodeiam.
Tens medo. Mas lutas.
Mais que muito.
Assemelho-te a um lume brando,
uma chama que esteve patente
na brasa dum carvão incandescente.
Pareces ficar-te pelo galanteio de alguns sorrisos
em noites frias de Verão.
Pareces ficar-te por dramas representados,
com um só actor, num monólogo de suspiros.
Guardas as rosas, os perfumes e os sabores aconchegantes da vida
para aquecer o dia-a-dia, aos que te rodeiam.
Tens medo. Mas lutas.
Mais que muito.
Escrevi para ti
Balança-te: pés na terra, mãos de água,
pensamentos de estrelas.
Acreditas-te para que te acreditem.
Poderia ser doutro modo?
No fundo, duvidas do que és.
Queres muito ser, demasiado,
com esses teus olhos de ver
fincados nos gestos,
como unhas cravadas na carne.
Mas os gestos balançam,
Como o mundo translada.
Com uma mão tocas nos corações
E com a outra empurra-los para o abismo.
(O abismo onde hoje caiu uma lágrima minha.)
Balança-te: pés na terra, mãos de água,
pensamentos de estrelas.
Acreditas-te para que te acreditem.
Poderia ser doutro modo?
No fundo, duvidas do que és.
Queres muito ser, demasiado,
com esses teus olhos de ver
fincados nos gestos,
como unhas cravadas na carne.
Mas os gestos balançam,
Como o mundo translada.
Com uma mão tocas nos corações
E com a outra empurra-los para o abismo.
(O abismo onde hoje caiu uma lágrima minha.)
2005/02/02
Prova.
Será que é assim tão simples medirem o nosso valor? Uma equação simples, sempre a somar ou a subtrair. Um "mais" diz que somos melhores um "menos" diz que somos piores. Não há grandes variáveis... às vezes até quero esquecer que sou humana, e que vilmente também me arrasto pelos passeios das características menos virtuosas. Menos. Levo um menos.
Será que é assim tão simples medirem o nosso valor? Uma equação simples, sempre a somar ou a subtrair. Um "mais" diz que somos melhores um "menos" diz que somos piores. Não há grandes variáveis... às vezes até quero esquecer que sou humana, e que vilmente também me arrasto pelos passeios das características menos virtuosas. Menos. Levo um menos.
2005/01/24
Fotografia.
Olhei para nós. Havia passado mais de um ano desde que aquela imagem tinha sido, por nós, raptada do tempo equilátero.
Os teus olhos falavam, diziam que queriam escapar por entre o magnetismo daquela noite directamente para a seguinte noite... num passo mágico de adormecer e acordar. Diziam-me que estavas ali e que talvez um futuro inebriado trouxesse de novo aos teus olhos a vontade de falar daquele modo, para mim. Os teus olhos falaram para o futuro, falaram para que, inadvertidamente hoje, pudesse fitá-los, na ausência da tua presença, e me lembrasse que naquele segundo, todos os teus sentidos foram meus. Gritavam: Conseguirás sempre despir a felicidade como despiste hoje os teus receios ingénuos de viver.
Os meus olhos não diziam nada, encostavam-se a um infinito distante, de mágoas adivinhadas. O sorriso do meu rosto vivia o momento, os meus olhos avistavam as paisagens desérticas, ao entardecer, nas arestas geladas da minha almofada triste, nas minhas mãos que sentiriam a falta do teu toque... todo aquele que tinha absorvido antes.
A tua mão na minha cintura, a eterna inocência dos meus olhos fechados para prolongar, no percorrer do sempre, o som ondulante de um “clic”.
Olhei para nós. Havia passado mais de um ano desde que aquela imagem tinha sido, por nós, raptada do tempo equilátero.
Os teus olhos falavam, diziam que queriam escapar por entre o magnetismo daquela noite directamente para a seguinte noite... num passo mágico de adormecer e acordar. Diziam-me que estavas ali e que talvez um futuro inebriado trouxesse de novo aos teus olhos a vontade de falar daquele modo, para mim. Os teus olhos falaram para o futuro, falaram para que, inadvertidamente hoje, pudesse fitá-los, na ausência da tua presença, e me lembrasse que naquele segundo, todos os teus sentidos foram meus. Gritavam: Conseguirás sempre despir a felicidade como despiste hoje os teus receios ingénuos de viver.
Os meus olhos não diziam nada, encostavam-se a um infinito distante, de mágoas adivinhadas. O sorriso do meu rosto vivia o momento, os meus olhos avistavam as paisagens desérticas, ao entardecer, nas arestas geladas da minha almofada triste, nas minhas mãos que sentiriam a falta do teu toque... todo aquele que tinha absorvido antes.
A tua mão na minha cintura, a eterna inocência dos meus olhos fechados para prolongar, no percorrer do sempre, o som ondulante de um “clic”.
2005/01/16
Estou tão sozinha, por vezes... até sinto um arrepio gelado, uma brisa que chega em forma de lágrima e pergunta: como é possível?
É possível sim. Quando passeamos à noite e a olhar as estrelas as vejo sorrir de tão longe! É possível quando molho os lábios com a água salgada das tuas frases impensadas... da insignificância. É tão possível como alguém ter razão nos deixar sozinhos..É possível como doer tanto quando alguém faz por ter razão. Tanto que penso sempre estar sozinha. Nos meus pequenos interesses... estou sozinha quando leio o poema que fala do equilíbrio de Hardy-Wienberg, estou sozinha ao ouvir vezes sem conta Nessun Dorma... ou a Mercedes... a Mercedes... com o coração olhando para o sul, para a dor do seu povo, para as tardes soalheiras e as casa brancas e a paz do sorriso de muitas crianças, a paz do sorriso das pessoas sem pressa da vida. Bem me disse ela, vezes sem conta, que tudo muda, que o tempo é resoluto, que se encarrega de levar tudo. Mas ela também me disse que basta entregarmos os nossos corações para que o nosso mundo não esteja perdido.
E dói pensar que tudo isto é insignificante se não estiver sozinha. Que o que eu sou cá dentro, sou-o sozinha. Que as minhas palavras emudecem os que me rodeiam, ou que chamam apenas alguns risos de troça.
Nem sempre é assim... nem sempre ajo pensando que estou perto, às vezes estou realmente perto.
É possível sim. Quando passeamos à noite e a olhar as estrelas as vejo sorrir de tão longe! É possível quando molho os lábios com a água salgada das tuas frases impensadas... da insignificância. É tão possível como alguém ter razão nos deixar sozinhos..É possível como doer tanto quando alguém faz por ter razão. Tanto que penso sempre estar sozinha. Nos meus pequenos interesses... estou sozinha quando leio o poema que fala do equilíbrio de Hardy-Wienberg, estou sozinha ao ouvir vezes sem conta Nessun Dorma... ou a Mercedes... a Mercedes... com o coração olhando para o sul, para a dor do seu povo, para as tardes soalheiras e as casa brancas e a paz do sorriso de muitas crianças, a paz do sorriso das pessoas sem pressa da vida. Bem me disse ela, vezes sem conta, que tudo muda, que o tempo é resoluto, que se encarrega de levar tudo. Mas ela também me disse que basta entregarmos os nossos corações para que o nosso mundo não esteja perdido.
E dói pensar que tudo isto é insignificante se não estiver sozinha. Que o que eu sou cá dentro, sou-o sozinha. Que as minhas palavras emudecem os que me rodeiam, ou que chamam apenas alguns risos de troça.
Nem sempre é assim... nem sempre ajo pensando que estou perto, às vezes estou realmente perto.
2004/12/29
Palavras à chuva numa tarde...
Apetece-me beber sofregamente o fio líquido que se esvai desta quadra da família e dos afectos. Abandono o resto, tudo além daquilo que era puro, simples e me faz falta. Tudo aquilo além do quanto eu queros estes meus mundos sempre por perto. Repudio os sapatinhso de cristal e as barbas brancas do idosos de faces encarnadas.... Repudio o tempo que tudo muda, resoluto, imparável.
Em mim aprisiono as palavras à chuva de uma tarde, que dispararam sobre mim todos os sonhos que contenho... o rio corre, sim, irredutível, em frente... mas tu não. Não o teu olhar de sereia perdida, encantada, no oceano de lágrimas azuis, felizes. Tu disseste que valho não como ouro, nem diamante, mas sim o sal que se dissolve nos paladares e no sangue, nas secreções, nas vísceras. Diz-me! É por isso que continua a saber bem correr na relva, por isso que mergulho, por isso que digo que aprendo a viver. Para que te orgulhes de mim de uma forma inabalável, dura. És deslumbrante,ainda que nesse teu jeito de lutadora camuflada, esse jeito que surpreende, que viola, que despedaça os nós de mármore que enfrentas. Esse teu jeito que vence impreterivelmente. Não, só isso não te deixo dizer, isso não mudará, não, querida.
2004/12/20
Vagueando o olhar por entre as nuvens que não se esforçavam por esconder a lua, pensava nisto, que me disseste assim em tom de voz passiva atirada ao acaso para as nossas frases. Pensava-o enquanto a pouco e pouco parecia despertar, para este mundo meigo que criei à minha volta, um mundo que eu fiz para me esconder de outros mundos sobrepostos. Caminhava por entre montras da noite, vitrinas despidas, luzes escondidas, sentimentos reguardados. Dentro de mim. E pensava-o, será que é possível mesmo dar um sentido ao porvir? Será mesmo que as pessoas não despejam essas questões pseudo-filosóficas para limarem de uma forma discreta e elegante as aretas afiadas dos seus egos? Provavelmente espero uma resposta estridentemente afirmativa... ninguém é realmente profundo e poucos conseguem saber quais são as verdadeiras questões... tão pouco eu caminho sobre a água da clarividência, algumas das certezas prefiro-as mesmo submersas. O porvir, os ideais, o sonho: murmúrios inaudíveis, irreproduzíveis, distantes... tantas vezes!
2004/12/06
Um piano invisível,
notas que fluem afinadas por sentimentos que não se ouvem...
Uma lágrima ilegível ,
versos egoístas pertencem a todos, não são de ninguém...
Hoje vi essa lágrima escondida no horizonte de alguém não tem sede para lágrimas,
vi nesse olhar a falta daqueles olhares que veêm.
Vi um rosto sujo, senti umas mãos frias, vi um rosto desnudado de orgulho,
um rosto que não se pode abrigar num dia de chuva, um rosto que nunca se pode abrigar.
E tudo isto, surgiu ao longe, como se não pudesse ouvi-lo,
um ecoar breve da dor não-dimensinal dentro de mim.
notas que fluem afinadas por sentimentos que não se ouvem...
Uma lágrima ilegível ,
versos egoístas pertencem a todos, não são de ninguém...
Hoje vi essa lágrima escondida no horizonte de alguém não tem sede para lágrimas,
vi nesse olhar a falta daqueles olhares que veêm.
Vi um rosto sujo, senti umas mãos frias, vi um rosto desnudado de orgulho,
um rosto que não se pode abrigar num dia de chuva, um rosto que nunca se pode abrigar.
E tudo isto, surgiu ao longe, como se não pudesse ouvi-lo,
um ecoar breve da dor não-dimensinal dentro de mim.
2004/12/02
De facto, as horas na faculdade, o estudar, um trabalho que me anda a dar que pensar... tudo isso, não me tem deixado muito tempo meu, muito do (que já era pouco) tempo que me sentava por aqui, nesta cadeira, e passeava-me por poemas e linhas soltas... com o tempo, o tempo parece fugir. Sim posso dar-me ao luxo de usar este tipo de frase, porque mais ningúém, senão eu disfruta verdadeiramente do que aqui está, quando o partilho sorrio.
O trabalho continua amartelar no meu pensamento... ao menos se eu pudesse acrescentar algo novo! Mas sem contacto com a ciência, apenas em contacto com páginas pesadas, nada consigo acrescentar, nem posso.
Apenas disperso entre palavras e ideias já concebidas. Resta-me pois divagar ao sabor daquilo que me fascina e também ao sabor daquilo que faz um reflexo pálido nos meus olhos. Metáforas que me são quase proíbidas e que por vezes parecem ganhar uma certa condescendência. Tenho de escrever como penso que penso sobre o facto de talvez ser bom anotar aquilo que penso. Talvez assim, não descubra muito sobre o mundo, ou sobre a ida e talvez nem dê qualquer tipo de sorriso a ninguém, mas descobrir-me-ei um pouco mais.
O trabalho continua amartelar no meu pensamento... ao menos se eu pudesse acrescentar algo novo! Mas sem contacto com a ciência, apenas em contacto com páginas pesadas, nada consigo acrescentar, nem posso.
Apenas disperso entre palavras e ideias já concebidas. Resta-me pois divagar ao sabor daquilo que me fascina e também ao sabor daquilo que faz um reflexo pálido nos meus olhos. Metáforas que me são quase proíbidas e que por vezes parecem ganhar uma certa condescendência. Tenho de escrever como penso que penso sobre o facto de talvez ser bom anotar aquilo que penso. Talvez assim, não descubra muito sobre o mundo, ou sobre a ida e talvez nem dê qualquer tipo de sorriso a ninguém, mas descobrir-me-ei um pouco mais.
2004/11/24
Já há muito que aqui não vinha. Ao ler assim, nada me apeteceu escrever... coisa de amadores. Vou recolher-me a incontáveis páginas de livros, com conteúdos que muitas vezes nem sei porque tenho de saber... talvez um dia compreenda, talvez um dia compreenda um bocadinho mais. Hoje vou ficar por isto mesmo, meia duzia de palavras sem grande teor mas com votos de voltar em breve e deixar aqui algo mais.
2004/11/14
Deram-me autorização para colocar aqui estas palavras: uma carta de um avô para um neto em convalescência. Eu deliciei-me a lê-la... deliciei-me com a ternura que as palavras trazidas de longe podem carregar com elas. E assim, partilho aqui um momento anónimo, que poderá não interessar a ninguém, mas que acrescentou uma lágrima de carinho ao meu dia. Aqui vai...
"Eu e a avó estamos sempre contigo, tanto na operação, como no teu restabelecimento, pedindo a todos os santos que te melhorem de saúde e de vontade de viver; e assim ajudares o teu pai e a tua mãe, com essa vontade. Amanhã a tua avó, a tua tia e os teus primos vão visitar-te. Eu não vou, mas aceita os meus carinhos e as minhas orações onde estás sempre presente, para que rapidamente melhores e fiques bem, pois o Celta de Vigo tem necessidade de um ponta de lança!
Sabes que a tua mãe e o teu pai sofrem muito com tudo o que se está a passar e não choram para que tu não sofras. Mas vontade não lhes falta, portanto tenta ser forte e ajuda-os, de vez enquando, nesse sentido. Para já, da minha parte conjuntamente com a avó, recebe um grande abraço de amor para a tua recuperação: sem dores e cheia de boa disposição.
Como não posso ir vai a minha presença através desta pequena carta. Um grande abraço do avô amigo que muito te adora.
Há uma canção antiga que nunca esqueci e é assim:
Descansa meu querido descansa,
não te quero despertar,
vou para a cozinha trabalhando,
com vontade de chorar.
A minha mãe cantava-ma e é o que passa com a tua mãe que tanto te quer."
Estas são as pessoas que mais amamos, aquelas das quais não podemos prescindir. Fiquem sempre comigo, por favor!
2004/11/03
Não, normalmente nunca dou por mim a indagar quantas pessoas estarão a pensar em mim num determindado instante. Contudo, é possível que tal como eu penso nelas, as pessoas que fazem parte de mim, me pensem também. Se calhar aquela senhora que ajudo a descer com o bébé do autocarro, talvez se lembre de mim. Talvez aquela amiga de infância, que nunca mais vi, pense em mim. Não sei... importa-me mais que continue a florir os meus pensamentos com todos vós. Que continue a partilhar o que vou tendo convosco. Hoje dei por mim a escrever estas palavras... elas alimentam-me sempre que preciso de um suspiro quente de ternura, sempre que a lágrima está implicita numa glândula escondida, sempre que o sorriso se esbate sobre as folhas que vou rasgando. Hoje foi um desses dias.
2004/10/27
...pense em cada parágrafo de tal forma que a idéia central apareça na primeira linha, a argumentação no meio e a conclusão na última sentença;
Pára de chorar!!! Já te disse!!! Ordeno-te que pares de chorar!!!
Se parasses de chorar, talvez me enternecesses com a tua folha de papel branco, a folha onde te escreves e q escondes por detrás de lágrimas e supiros impensados de dor. Quando choras não ouves.
Então não chores mais, não chores sempre, porque a chorar nunca me ouvirás dizer que gosto de ti.
Pára de chorar!!! Já te disse!!! Ordeno-te que pares de chorar!!!
Se parasses de chorar, talvez me enternecesses com a tua folha de papel branco, a folha onde te escreves e q escondes por detrás de lágrimas e supiros impensados de dor. Quando choras não ouves.
Então não chores mais, não chores sempre, porque a chorar nunca me ouvirás dizer que gosto de ti.
2004/10/24
É por alguns instantes esta sensação de que nas veias corre sangue misturado com ilusão, com vontade e com esperança. A inspiração de uma criança que salta por cima das nuvens cor-de-rosa. No fundo é disto que eu falo, do que pode não ser palpável, do que pode não se beber, do que pode esgueirar-se por entre grãos de poeira. Falo daquilo que também pode encostar-nos a uma parede, tela negra forrada de veludo azul, e espremer-nos até ao fim. Mas do que falo não interessa se não o digo...
.... manhã de Outubro: chuva, tapetes de tule branco, passeios encobertos por mantos de pessoas encasacadas. Sinto-me como se não me sentisse, caminho como se voasse, e acomodo-me no muro de pedra polida resguardada por um alpendre familiar, mas que não pertence a ninguém. Alojo-me na vontade de querer repatir-me e ir de encontro a todos os lados. Quero percorrer caminhos até chegar mais longe e mais alto, onde não estou. Quero invadir cada pessoa com o meu sorriso, o meu gesto, o meu sobrolho fransido.
Mas não vou, não percorro, não invado.Será mesmo que o mundo, que os lugares, que as pessoas já têm suficiente de mim?
.... manhã de Outubro: chuva, tapetes de tule branco, passeios encobertos por mantos de pessoas encasacadas. Sinto-me como se não me sentisse, caminho como se voasse, e acomodo-me no muro de pedra polida resguardada por um alpendre familiar, mas que não pertence a ninguém. Alojo-me na vontade de querer repatir-me e ir de encontro a todos os lados. Quero percorrer caminhos até chegar mais longe e mais alto, onde não estou. Quero invadir cada pessoa com o meu sorriso, o meu gesto, o meu sobrolho fransido.
Mas não vou, não percorro, não invado.Será mesmo que o mundo, que os lugares, que as pessoas já têm suficiente de mim?
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